William Oliveira

Carreira em programação, JavaScript, Nodejs, Performance Web, Git, GitHub, Linux, Open Source, mas também coisas realmente importantes como inclusão e diversidade - Vim da periferia pro mundo

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Uma mudança necessária

Nós não percebemos o quanto estamos nos sobrecarregando de tarefas ou sentimentos até que nosso organismo comece a apresentar sinais negativos sobre o que estamos fazendo. Esses sinais podem aparecer de diversas maneiras, como uma irritabilidade ou aquela sensação de falta de tempo.

Eu não me dei conta do que estava fazendo comigo mesmo até os recentes episódios de perda de controle e sinais da ansiedade crônica atacando novamente.

Como ficar sem dormir, precisar de calmantes para focar no trabalho e arrumar confusão por não conseguir ficar calado quando poderia evitar uma treta.

Vivo comentando para as pessoas que elas não devem se cobrar muito. Que elas devem manter o pé no chão e que cobrança demais faz mais mal a sua sanidade mental do que bem a nossa produtividade. Cobrança demais não é sinal de que alcançaremos alta produtividade, pode ser muito ao contrário.

Também sou do tipo que fica falando para as pessoas quando elas estão se abarrotando de trabalho. Mas, como em casa de JavaScripteiro tem sistema rodando Java, eu me atolei tanto de tarefas que não percebi o que estava fazendo comigo mesmo até que a bomba explodiu.

Eruption, Photo by Marc Szeglat on Unsplash

Trabalho que não acaba mais

Como eu adoro produzir conteúdo para a internet, pois acredito estar contribuindo com a vida das pessoas com esse conteúdo, eu me envolvi em diversas tarefas relacionadas com isso, tal como:

Além de gerar conteúdo, eu estava, junto com uma galera, revisando os artigos do Training Center (o que leva a ler o texto, pegar pequenos erros, comentar, revisar depois das alterações, comentar se necessário mais mudanças e, se não, agendar a postagem), gerenciando as mídias sociais do Training Center, gerindo o projeto Mentoria (o que inclui revisar os perfis, aprovar os PRs, fazer a integração de novos mentores e mentoras, fazer anúncios), além de gerenciar o GitHub da nossa comunidade e estar sempre presente quando alguém da moderação precisa de mim.

Eu ainda gosto de prestar mentoria e contribuir com outras comunidades, o que me puxava mais um pouco mais do meu tempo.

Além de tudo isso, envolvendo comunidades, eventos e conteúdo, eu estou fazendo uma faculdade, sou noivo e acabei de me mudar para morar sozinho.

Sabendo que o ser humano desempenha diversos papéis sociais em sua vida, como filho(a), marido/esposa, namorado(a), profissional, pai/mãe (inclusive dos gatinhos e cachorrinhos), estudante, etc… Eu extrapolei a conta.

Revisando a lista de atividades que eu desempenhava, podemos ver que algo se repete bastante: Training Center. Eu, pessoalmente, acabei deixando todos os outros papéis da minha vida para ser o “William do Training Center”.

De certo modo isso foi bom, pois me motivou a gerar muito conteúdo para a comunidade, mas isso me forçou um pouco.

Temos dois erros visíveis no meu comportamento:

Essa falta de empenho nos outros papéis de minha vida tem se tornado um grande problema.

Sentimento negativo aumentando

Com o crescimento do Training Center eu aprendi muita coisa. Coisas que eu não aprenderia jamais se não tivesse iniciado essa comunidade. Eu tive contato com pessoas que mudaram minha mente em relação a diversidade e a inclusão e isso virou pauta sempre que eu posso contribuir.

Porém isso também me fez ser muito mais crítico e, ultimamente, mais radical quando o assunto é respeito, honestidade e hipocrisia. Me levando a alguns episódios de confusão nas redes sociais devido ao comportamento hipócrita de algumas pessoas que eu não consegui suportar. Falei sobre isso no meu último artigo sobre comunidades, A verdadeira podridão, onde comento sobre as coisas erradas que vemos por debaixo dos panos dos eventos e comunidades de tecnologia e programação.

Mas isso não é nada bom para alguém com transtorno de ansiedade generalizada. Ao nos envolvermos em uma confusão, por mais simples que seja, ela se torna um problema latente em nossa mente, que nunca sai de lá e fica martelando por tempo indeterminado nos levando a diversos outros pensamentos ruins. É uma cascata de sentimentos negativos que, ao invés de diminuir com o escoamento, só aumenta.

Sinais que não posso mais ignorar

Com esse acúmulo de atividades , muitas mensagens chegando nas redes sociais, emails, notícias, estudos, trabalho, namoro, convívio social e alguns outros tópicos, eu cheguei ao ápice da ansiedade novamente.

Voltei a ter crises constantes e cheguei a passar alguns dias sem dormir por conta da ansiedade, acabei não conseguindo bater minhas metas desse ano e muito menos estudar coisas que eu sei que são importantes para minha profissão, assim como não consegui focar na faculdade e perdi 9 meses de matérias (resultando em 17 DPs), também não consegui focar nos cursos que comprei na Udemy (que já nos leva pro abismo por si só com aquelas promoções).

Até mesmo a minha produção de conteúdo acabou diminuindo, tornando meus últimos artigos somente textos opinativos ou textos que eu já havia escrito e só faltava uma revisão para publicar.

Eu não posso mais ignorar esses sinais de que estou sobrecarregado (por minha própria culpa) e preciso de uma mudança urgentemente.

O que estou fazendo para melhorar

Como sempre digo para as pessoas: nos primeiros sinais de crise, busque apoio profissional. Nenhum amigo ou amiga conseguirá nos ajudar em períodos de crises de ansiedade, pois pra galera tudo é normal, é só uma fase, vai passar. Mas dentro da nossa cabeça só nós sabemos que a última coisa que queremos é acordar no outro dia para reviver os pensamentos acelerados e os sintomas da ansiedade crônica novamente.

Por isso eu já estou de volta ao acompanhamento médico, além de ter comprado um patins pra voltar a praticar esportes, algo que sempre me ajudou a me manter em paz, desde criança.

Mas, só isso não é o suficiente. Sabemos que, depois de conferir a lista de tarefas, o trabalho com comunidades é algo que eu acabo caindo de cabeça, mais cedo ou mais tarde e, por isso, eu preciso dar um tempo com esse convívio.

Eu não vou deixar de escrever, palestrar, ajudar a organizar eventos onde eu trabalho ou abandonar todo mundo. O que eu preciso é deixar de responder pelo Training Center diretamente, pois isso é o que me puxa pra dentro do buraco.

Por isso eu já “abandonei” algumas frentes, como o Mentoria, a publicação no Medium, os Meetups em SP e, com este artigo eu gostaria de pedir que quando você tiver alguma dúvida, problema ou sugestão para a comunidade, que abra uma issue, não me procure diretamente. Isso será uma grande ajuda <3.

Conclusão

Este texto pode estar meio confuso, pois envolve uma crise de ansiedade e sentimentos pessoais bem bagunçados.

Eu quero dizer que estou deixando a frente da comunidade que eu criei porque, quanto mais eu recebo toques e DMs, acabo me entupindo mais de trabalho e despriorizando minha vida pessoal. Mas não estou abandonando tudo como alguém que larga um cachorro na estrada.

Eu estarei sempre aqui para ajudar o Training Center, um grupo que eu tanto amo, quando essa galera precisar de mim.

Mas, acima de tudo, eu estou aqui para ajudar as pessoas a entrarem na área de programação e melhorarem como profissionais e é isso que eu vou continuar fazendo apartado da comunidade, para que as pessoas não confundam minha participação no grupo como moderação ou liderança/gestão de comunidades - o famoso community manager (papel questionável que será discutido em outro artigo).

Se você precisar de ajuda para com os projetos do Training Center, basta abrir uma issue nos projetos listados em nosso site: trainingcenter.io.

Espalhe a palavra!

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